Postagens

Capítulo 7: A Ressonância de Valenorth

Capítulo 7: A Ressonância de Valenorth O estalo do obelisco ecoou pelas montanhas de vidro como um trovão. Aria, agora parcialmente livre de suas amarras, pousou pesadamente sobre a poeira de cristal de Vale Valenorth. Suas asas de obsidiana vibraram, emitindo um som metálico e melancólico. — A Cidadela já sabe que você está aqui, Lully — sussurrou Aria, apontando para o horizonte, onde nuvens carregadas de eletricidade mágica começavam a girar. — Eles virão buscar o que restou da minha essência. Mas antes, você precisa entender o Poder da Ressonância. Aria pegou uma pequena lasca de cristal transparente do chão de Valenorth e a entregou a Lully. — A magia que te ensinaram é predatória, ela consome. Mas a magia de Valenorth, a magia original, é baseada na ressonância. Você não precisa tirar nada de ninguém; você só precisa encontrar a frequência certa dentro de si mesma. O Desafio dos Cristais: Lully fechou os olhos. Ela não buscou uma memória feliz ou uma dor profunda para alimentar o...

Cap. 6 O abismo luminoso

Imagem
  O ar ao redor deles tornou-se espesso, saturado pelo cheiro de ozônio e metal queimado. Kael agarrou o braço de Aria no exato momento em que o solo sob seus pés deixou de parecer sólido. Os Inquisidores estavam agora a menos de cem metros, suas silhuetas esguias deslizando silenciosamente, as máscaras de prata refletindo a luz pálida do amanhecer. — Eles estão fechando o cerco! — gritou Kael, sacando sua adaga de obsidiana, embora soubesse que lâminas comuns eram inúteis contra a vontade dos juízes da Cidadela. Aria não respondeu. Ela canalizou cada fragmento de medo e desespero para o artefato. A pedra única em seu peito aqueceu até o ponto de agonia, e de repente, o som dos sinos de cristal mudou. O tom angelical tornou-se um estilhaçar violento. O espaço à frente deles rasgou-se como um tecido velho, revelando um vácuo de estrelas e silêncio absoluto. Era uma  Fenda de Ressonância , um caminho proibido que nenhum humano deveria ser capaz de abrir. — Pule! — comandou Aria,...

Cap, 5

Imagem
O som era límpido, quase angelical, mas para Aria, cada nota vibrava como uma sentença de morte. Aqueles não eram sinos de celebração; eram os  Harmônicos de Rastreamento , frequências sintonizadas para localizar qualquer resíduo de magia não sancionada. — Eles estão mais rápidos do que o previsto — sussurrou Kael, puxando-a para a sombra de um arco de pedra em ruínas. Aria sentia o peito arder. O artefato roubado, escondido sob as camadas de sua túnica gasta, pulsava contra sua pele em um ritmo frenético, respondendo à proximidade dos Inquisidores. Ela olhou para as próprias mãos: pequenas faíscas de luz prateada começavam a escapar por entre seus dedos. — A Cidadela não quer apenas o objeto, Kael. Eles querem o que ele despertou em mim — disse ela, a voz falhando enquanto o brilho aumentava. No horizonte, as torres de marfim da Cidadela começaram a brilhar com uma aura azulada. Vultos encapuzados, flutuando a poucos centímetros do chão, emergiram da névoa matinal. Eram os Inquisi...

Capítulo 4 (Continuação) O Prisma das Almas

  Capítulo 4: O Prisma das Almas (Continuação) Ao tocar a mão de Aria, a realidade ao redor de Lully se desfez como vidro quebrado. Elas não estavam mais no Vale dos Ecos Mudos, mas em Aethelgard, o Reino Pentagonal. Este era o mundo original de Aria, um lugar onde o sol nunca se punha, pois o céu era composto por gigantescas placas de cristal que refletiam uma luz perpétua e fria. O Segredo dos Cristais: Aria conduziu Lully até a base de uma torre translúcida. Dentro das paredes de quartzo, vultos embaçados se contorciam. — Estes são os Cristais de Memória — explicou Aria. — A magia deste mundo não vem do nada. Os cristais funcionam como baterias que armazenam a "essência vital" de seres vivos. Lully percebeu, horrorizada, que o poder que ela usara para iluminar o caminho, vinha de pequenas lascas de cristal que continham sentimentos roubados: Cristais Ámbar: Alimentados por momentos de alegria pura. Cristais de Safira Sombria: Gerados a partir da tristeza profunda (os mais ...

Capítulo 4: O Labirinto das Sombras e o Pacto de Cristal

Imagem
Capítulo 4: O Labirinto das Sombras e o Pacto de Cristal Lully percebeu que a beleza da Floresta dos Sussurros era uma máscara. Sob as flores que cantavam, as raízes se alimentavam de memórias esquecidas. Finnegan, com um olhar sombrio, revelou o segredo mais bem guardado do reino: toda magia usada no mundo de Lully exige um sacrifício de tempo ou de afeto. Para um objeto flutuar, alguém, em algum lugar, perde a lembrança de um sorriso. O "Brilho" que todos admiravam era, na verdade, a energia processada de sonhos roubados. Foi no Vale dos Ecos Mudos, um lugar onde o som morre antes de ser ouvido, que Lully encontrou o que restava da resistência. Lá, presa em uma redoma de vidro negro que drenava sua essência, estava Aria. Ao contrário das fadas dos contos de fadas, Aria não tinha asas de borboleta; suas asas eram feitas de fragmentos de obsidiana que cortavam o ar. Ela era uma "Fada do Esquecimento", responsável por guardar os segredos sombrios que os governantes d...

Capítulo III — O Sonho de Aria e os Segredos da Lua

Imagem
  Capítulo III —  O Sonho de Aria e os Segredos da Lua Naquela noite, Lully adormeceu mais cedo do que o costume. A Lua, redonda e luminosa, observava pela janela, espalhando sua luz pelo quarto como um cobertor prateado. Assim que Lully fechou os olhos, o mundo silencioso se transformou. Ela sonhava. No sonho, Lully caminhava por um campo de relva azulada que brilhava suavemente, como se cada folha guardasse um pedacinho do céu. O ar era morno e doce, perfumado por flores que flutuavam acima do chão. Ao longe, sinos delicados tocavam sozinhos, guiando seus passos. Foi então que Lully a viu. Uma fada de asas translúcidas pousou diante dela. Seus cabelos lembravam fios de luar, e seus olhos refletiam constelações inteiras. Ela sorriu com ternura. — Meu nome é Aria.Eu estava esperando por você, Lully... (disse a fada, com uma voz que parecia música) Sem sentir medo, Lully perguntou como se já se conhecessem há muito tempo: — Esperando por mim… por quê? Aria abriu as asas, espalh...

Cap. 2

Imagem
 Capítulo II — Os Segredos da Avó e o Mundo Escondido A avó de Lully chamava-se Selena, e seus olhos guardavam o mesmo brilho prateado da Lua em noites calmas. Ela andava devagar, apoiada em um cajado de madeira antiga, entalhado com símbolos que pareciam mudar de forma quando a luz lunar os tocava. Para muitos, era apenas uma senhora cheia de histórias. Para Lully, porém, era muito mais do que isso. Naquela manhã, enquanto o sol ainda se escondia atrás das montanhas, Selena chamou a neta para perto da lareira. — Está na hora de você saber de onde eu venho — disse, com a voz suave, mas firme. — E de onde vem a magia que sente pulsar quando olha para a Lua. Lully sentou-se aos seus pés, em silêncio atento. Selena contou que, em sua infância, vivera em um lugar que não aparecia em mapas. Um mundo escondido entre dobras da realidade, onde a natureza era viva de um jeito diferente. As árvores sussurravam conselhos, os rios cantavam canções antigas e o vento carregava mensagens entre os...