Capítulo 4 (Continuação) O Prisma das Almas
Capítulo 4: O Prisma das Almas (Continuação)
Ao tocar a mão de Aria, a realidade ao redor de Lully se desfez como vidro quebrado. Elas não estavam mais no Vale dos Ecos Mudos, mas em Aethelgard, o Reino Pentagonal. Este era o mundo original de Aria, um lugar onde o sol nunca se punha, pois o céu era composto por gigantescas placas de cristal que refletiam uma luz perpétua e fria.
O Segredo dos Cristais:
Aria conduziu Lully até a base de uma torre translúcida. Dentro das paredes de quartzo, vultos embaçados se contorciam.
— Estes são os Cristais de Memória — explicou Aria. — A magia deste mundo não vem do nada. Os cristais funcionam como baterias que armazenam a "essência vital" de seres vivos.
Lully percebeu, horrorizada, que o poder que ela usara para iluminar o caminho, vinha de pequenas lascas de cristal que continham sentimentos roubados:
Cristais Ámbar: Alimentados por momentos de alegria pura.
Cristais de Safira Sombria: Gerados a partir da tristeza profunda (os mais potentes para magias de proteção).
Cristais de Obsidiana (o poder de Aria): Criados a partir do esquecimento absoluto.
Aria não era apenas uma prisioneira; ela era a Catalisadora. Como fada de obsidiana, seu corpo era o único capaz de processar os "restos" de magia que ninguém mais queria tocar. Ela revelou a Lully que os cristais em seu cajado estavam começando a escurecer. Se Lully continuasse a usá-los sem entender o custo, ela acabaria drenando suas próprias memórias até se tornar uma casca vazia, como os guardas que patrulhavam a Cidadela de Vidro.
— Para salvar este mundo, Lully, você não deve buscar mais cristais — sussurrou Aria, enquanto suas asas de vidro ressoavam. — Você deve aprender a Quebra. Se quebrarmos o Cristal Mestre no coração da Cidadela, a magia retornará às pessoas, mas o brilho constante de Aethelgard se apagará para sempre.
Lully olhou para suas mãos, agora marcadas por pequenas veias prateadas — o sinal de que a magia dos cristais já estava começando a cobrar seu preço.
Continua...
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