Cap, 5
O som era límpido, quase angelical, mas para Aria, cada nota vibrava como uma sentença de morte. Aqueles não eram sinos de celebração; eram os Harmônicos de Rastreamento, frequências sintonizadas para localizar qualquer resíduo de magia não sancionada.
— Eles estão mais rápidos do que o previsto — sussurrou Kael, puxando-a para a sombra de um arco de pedra em ruínas.
Aria sentia o peito arder. O artefato roubado, escondido sob as camadas de sua túnica gasta, pulsava contra sua pele em um ritmo frenético, respondendo à proximidade dos Inquisidores. Ela olhou para as próprias mãos: pequenas faíscas de luz prateada começavam a escapar por entre seus dedos.
— A Cidadela não quer apenas o objeto, Kael. Eles querem o que ele despertou em mim — disse ela, a voz falhando enquanto o brilho aumentava.
No horizonte, as torres de marfim da Cidadela começaram a brilhar com uma aura azulada. Vultos encapuzados, flutuando a poucos centímetros do chão, emergiram da névoa matinal. Eram os Inquisidores, cavalgando as próprias ondas sonoras dos sinos.
Sem saída, Aria fechou os olhos e tocou a superfície fria do artefato. Se a fuga era impossível pelo solo, ela teria que abrir um caminho que não existia nos mapas deles.
— Segure-se — ordenou ela, enquanto o som dos sinos se tornava um rugido ensurdecedor e o mundo ao redor deles começava a se fragmentar em mil pedaços de vidro.

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