Cap. 6 O abismo luminoso
O ar ao redor deles tornou-se espesso, saturado pelo cheiro de ozônio e metal queimado. Kael agarrou o braço de Aria no exato momento em que o solo sob seus pés deixou de parecer sólido. Os Inquisidores estavam agora a menos de cem metros, suas silhuetas esguias deslizando silenciosamente, as máscaras de prata refletindo a luz pálida do amanhecer.
— Eles estão fechando o cerco! — gritou Kael, sacando sua adaga de obsidiana, embora soubesse que lâminas comuns eram inúteis contra a vontade dos juízes da Cidadela.
Aria não respondeu. Ela canalizou cada fragmento de medo e desespero para o artefato. A pedra única em seu peito aqueceu até o ponto de agonia, e de repente, o som dos sinos de cristal mudou. O tom angelical tornou-se um estilhaçar violento.
O espaço à frente deles rasgou-se como um tecido velho, revelando um vácuo de estrelas e silêncio absoluto. Era uma Fenda de Ressonância, um caminho proibido que nenhum humano deveria ser capaz de abrir.
— Pule! — comandou Aria, sua voz agora sobreposta por um eco que não era seu.
No instante em que saltaram para o abismo luminoso, o líder dos Inquisidores estendeu a mão, e um chicote de luz estalou no ar, errando o calcanhar de Kael por milímetros. O portal se fechou com a força de um trovão, deixando para trás apenas o silêncio pesado da floresta e o rastro de fumaça onde os dois fugitivos estiveram.
Aria e Kael haviam escapado da Cidadela, mas o preço da travessia estava gravado nos olhos de Aria: as íris, antes castanhas, agora brilhavam com o mesmo azul frio das torres que os perseguiam. O impacto do corpo deles, contra o chão de areia negra ,era de um lugar onde o sol nunca nascia...

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